Sabemos que, cada vez mais, as mulheres vêm conquistando um espaço significativo no meio da engenharia. De acordo com o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, em 2003 as engenheirasrepresentavam 15% dos empregados formais na área. Em 2013, dez anos depois, esse número subiu para 19%. Também houve uma aproximação salarial entre os gêneros, já que em 2003 as mulheres recebiam salários equivalentes a 75% daqueles recebidos pelos homens, e em 2013 esse valor passou a ser de 81%. Outro dado interessante é que, segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), o número de mulheres credenciadas aumentou 142% entre os anos de 2005 e 2013. Além disso, o número de estudantes do sexo feminino aumentou 50% na Escola de Engenharia da USP, em um período de oito anos, segundo informações do G1.

Ainda com esses avanços, podemos perceber que a situação, na área da engenharia e das ciências em geral, está longe de ser igualitária entre homens e mulheres. Existem poucas engenheiras em cargos altos de poder, representando apenas um 3%, de acordo com Ester Feche Guimarães, membro da Diretoria da ABES-SP. Além disso, as mulheres devem enfrentar grandes preconceitos nessa área: Cássia Silveira de Assis, coordenadora do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia Mauá, contou à MBPress que já teve que “se vestir de homem” para ser aceita nos canteiros de obras em que trabalhava. A engenheira também teve que escutar que mulheres davam azar se fossem trabalhar em alguma obra.

Essa problemática está cada vez mais em foco e alguns homens da área vêm fazendo duras críticas a essa desigualdade, procurando conscientizar as pessoas sobre a importância de valorizar o trabalho das mulheres e de reconhecer que as oportunidades ainda não são iguais entre os gêneros. Jared Mauldin, engenheiro mecânico sênior da Universidade Eastern Washington, escreveu uma carta ao jornal da sua faculdade no qual falou sobre essa disparidade. O texto se espalhou rapidamente pela web e comoveu os leitores. Veja a carta na íntegra, traduzida por Simone Palma, do BrasilPost:

CARTA AO EDITOR

Para as mulheres da minha aula de engenharia:
Embora seja minha intenção, em boa parte da minha interação que divido com vocês, tratá-las como colegas, permitam-me desviar desse assunto para dizer que você e eu somos, na verdade, desiguais.
Claro, nós estamos no programa da mesma escola e você provavelmente está com as mesmas médias que eu, mas será que isso nos iguala?
Eu não cresci, por exemplo, em um mundo que me desestimulava de me dedicar às ciências exatas.
Eu não vivi em uma sociedade que me dizia para não ficar sujo, nem em uma que me chamava de mandão quando eu exibia habilidades de liderança.
Na minha pós-graduação eu nunca tive medo de ser rejeitado pelos meus colegas por causa dos meus interesses.
Eu não era bombardeado com imagens e slogans que me diziam que meu verdadeiro valor estava na minha aparência e que eu deveria evitar certas atividades porque eu poderia ser interpretado como muito masculino.
Eu não fui negligenciado pelos professores que assumiam que o motivo que eu não aprendia um conceito de matemática ou de ciência era, afinal de contas, por causa do meu gênero.
Eu não tive nenhuma dificuldade com a mentalidade presente no clube dos rapazes e eu não enfrentarei um escrutínio maior nem comentários por ser parte da “contratação por diversidade”.
Quando eu tiver sucesso as pessoas pensarão que eu fiz por merecer.
Assim, você e eu não podemos ser iguais. Você teve que conquistar muito mais neste campo do que eu jamais enfrentarei.
De Jared Mauldin
Engenheiro Mecânico Sênior

E não para por aí. O famoso cientista Neil deGrasse Tyson fez um discurso, em um congresso, que foi aplaudido de pé por todos os que estavam ali. Ele comparou a falta de oportunidades das mulheres à falta de oportunidade dos negros, já que ele pertence a esse segundo grupo de pessoas que, durante muito tempo, enfrentaram grandes desafios para conseguirem encontrar espaço na área das ciências. Assista ao vídeo abaixo, com legendas em português:

E você? O que pensa sobre o assunto?

CURIOSIDADE: A primeira mulher formada em engenharia no Brasil foi a Edwiges Maria Becker HornMeyll, no ano de 1917. Ela estudou no Rio de Janeiro, na Escola Polythecnica do antigo Distrito Federal.

Fontes consultadas:

http://www.abes-sp.org.br/noticias/19-noticias-abes/6700-mulheres-na-engenharia-conquistas-e-desafios
http://www.vilamulher.com.br/dinheiro/carreira/como-anda-o-mercado-de-engenharia-para-as-mulheres-5-1-37-1215.html
http://www.brasilpost.com.br/2015/11/02/estudante-de-engenharia-_n_8436160.html
http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2013/04/aumenta-o-numero-de-alunas-nos-cursos-de-engenharia-em-sao-carlos.html
http://www.eniopadilha.com.br/artigo/940